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54% dos motoristas já desistiram de compras por não ter onde estacionar

Pesquisa do SPC Brasil/CNDL aponta os impactos da mobilidade no consumo varejista, onde 95% realizam a maior parte das compras perto da própria residência.

Por Gabriel Philipe Dia em Notícias

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Por ano, o morador das capitais da região Sudeste passa, em média, o equivalente a trinta e oito dias no trânsito das capitais. É o que mostra a pesquisa sobre os Impactos da Mobilidade Urbana no Varejo na região Sudeste realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O tempo médio gasto diariamente para fazer atividades corriqueiras como se deslocar até o trabalho, deixar os filhos na escola ou fazer compras no supermercado é de duas horas e 31 minutos ― levando em consideração tanto o transporte coletivo quanto o de carros e motos. 

De acordo os dados da pesquisa, quatro em cada dez moradores do Sudeste (40%) possuem carros e/ou motos em suas residências, percentual que entre os homens aumenta para 47%. Quando analisados somente aqueles das classes A e B, o percentual aumenta para 70%. 

Caso houvesse uma boa alternativa de transporte coletivo, mais de seis em cada dez (64%) motoristas do Sudeste reconhecem que deixariam de utilizar seus veículos particulares, seja carro ou moto, para trajetos do dia a dia. Apenas 11% são mais resistentes e disseram que manteriam o hábito de se locomover apenas com seus veículos.  

Entre o público que utiliza o transporte público para se locomover na maioria das vezes, o principal motivo foi o fato de terem facilidade no acesso, citado por 29%. Outros motivos citados foram o fato de ser a alternativa mais barata (29%) e o único meio de locomoção disponível (24%). No entanto, atributos como conforto (5%) e adoção de atitudes ecologicamente corretas (3%) foram as últimas razões mencionadas pelos entrevistados.  

Por outro lado, quando analisados os principais motivos para aqueles que se locomovem de carro ou moto na maior parte das vezes, surgem no topo da lista atributos positivos como comodidade, citado por 46%, conforto (44%) e rapidez para se chegar a um destino (29%). 

Transporte coletivo é o mais utilizado para mobilidade do dia a dia! 

O estudo buscou identificar a maneira como os moradores do Sudeste se locomovem para realizar atividades do cotidiano, bem como mapear quais os meios de transporte mais utilizados para se chegar até as compras. De modo geral, os dados apontam que meios de transporte coletivos estão mais relacionados a atividades do dia a dia, como ir ao trabalho, se locomover até a escola/faculdade ou ir a uma consulta no médico ou dentista.  

Perguntados sobre qual o meio de transporte mais utilizado para ir até o trabalho, o ônibus foi o veículo mais citado pelos entrevistados (49%). O metrô  é a segunda opção mais utilizada pelos entrevistados para trabalhar (19%). O carro é o terceiro mais citado, com 11%.

Quando considerado as atividades de lazer, como ir ao cinema, parques, festas, bares e restaurantes, 44% dos entrevistados disseram que utilizam ônibus. O carro aparece em segundo lugar, citado por 28%, e os serviços de transporte por aplicativo como Uber e Cabify aparecem em terceiro lugar (17%). 

No Sudeste, a caminhada é a forma mais utilizada para ir ao supermercado, opção mencionada por 47%. Já no caso do comércio, ir a pé surge como a maneira mais utilizada para fazer compras perto de casa (57%), seguido de ônibus (23%) e carro (19%). Para as compras longe de casa, o ônibus é o meio de transporte mais utilizado pelos moradores do Sudeste (49%). Em segundo lugar aparece o carro (34%). 

Itens de supermercado são os mais comprados próximos de casa; roupas perto do trabalho!

De acordo com o levantamento, 95% dos entrevistados realizam a maior parte das compras perto da própria residência, seguido de compras próximo ao trabalho (49%). A maioria das compras são feitas em lojas de rua (61%), shopping center (17%) e nos supermercados (12%). 

A pesquisa traz um resumo dos itens comprados: enquanto itens de supermercado são mais comprados próximos de casa (82%); perto do trabalho outras categorias ganham importância, como roupas, sapatos e acessórios (29%). Quase a metade dos entrevistados (48%) têm o hábito de realizar suas compras durante a semana, principalmente no período da manhã. Já 30% afirmam realizar suas compras normalmente aos finais de semana. 

Segurança é a principal barreira para compras em lojas de rua. Preço afasta consumidores dos shoppings!

A pesquisa levantou ainda quais são as experiências de compras que definem a escolha de cada tipo de comércio no Sudeste. As lojas de rua são mais citadas em quase todos os atributos: melhores preços (85%), fazer compras do dia a dia (81%), compras de última hora (69%), mais facilidade para deslocamento (68%), maior variedade de lojas (49%) e disponibilização de melhores formas de pagamento (45%), com exceção de facilidade de estacionamento e segurança, em que, respectivamente, 68% e 76% dos entrevistados mencionaram os shoppings. 

O shopping é considerado um lugar onde as compras levam mais tempo e são mais prazerosas e personalizadas em comparação às lojas de rua; que é visto como um lugar onde é mais fácil realizar compras por impulso. A pesquisa revela que itens de supermercado, remédios, papelaria, salão de beleza, comidas e lanches, artigos para casa, cosméticos, roupas, eletrodomésticos são produtos que os entrevistados adquirem mais comumente em lojas de rua. Apesar de significativo o resultado das lojas de rua, o estudo detectou uma leve preferência pelos shopping centers para compras de celulares e acessórios (51%) e de joias e semi joias (40%). 

Os consumidores afirmam ainda que a segurança é a principal barreira para os entrevistados comprarem em comércio de rua (41%), seguida do trânsito (23%), e dificuldades de estacionamento (14%). Entre as motivações que aumentariam as compras em lojas de rua, estão o preço como principal atrativo (47%), segurança (38%) e lojas maiores com grande variedade de produtos (22%). 

No caso das compras em shoppings, o preço é a principal barreira (57%), seguido do horário de funcionamento (23%) e estacionamento pago (16%). 

54% dos motoristas já desistiram de alguma compra por não ter onde estacionar!

Sair de casa e não ter onde estacionar o carro é um problema que incomoda boa parte dos consumidores brasileiros motorizados, ao ponto de fazê-los até mesmo a desistir de uma compra. A pesquisa revela que mais da metade das pessoas (54%) que possuem veículos no Sudeste já deixou de comprar algo por não conseguir estacionar o carro ou a moto próximo ao comércio. 

A boa condição de trânsito nas proximidades dos centros comerciais, assim como a presença de estacionamentos, são fatores que favorecem o fluxo de pessoas e podem aumentar o faturamento das lojas. Segundo o levantamento, sete em cada dez (69%) pessoas motorizadas disseram que dão preferência a centros comerciais que oferecem estacionamento próprio ou nas imediações (78%). 

Cerca de 50% dos entrevistados diz não costumar frequentar lojas e centros comerciais cujo trajeto tem condições de trânsito ruins e 45% não costumam fazer compras em lojas que não possuem fácil acesso a transporte público.  

Para 82%, lojas devem se preocupar com acessibilidade de pessoas com deficiência!

O estudo também buscou compreender como implementações no sistema de mobilidade nas grandes capitais podem gerar ganhos de acessibilidade, comodidade, segurança e até aumentar o fluxo de pessoas até a porta das lojas. Segundo a pesquisa, em cada dez consumidores, seis (59%) dão preferência a compras onde há acesso adequado para pedestres, ciclistas e passageiros de transporte público e 82% defendem que as lojas e demais estabelecimentos comerciais se preocupem com a inclusão de consumidores que possuem algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida. 

Além da acessibilidade, a segurança é outro fator fundamental que pesa para o brasileiro na hora das compras. Para 75% dos entrevistados, sentir-se protegido no estabelecimento é prerrogativa básica, sendo que 53% se sentem mais seguros ao fazer compras dentro de shopping centers do que em lojas do comércio de rua. A presença de moradores de rua (39%) e flanelinhas (37%) também influenciam de forma negativa na decisão de não frequentar um centro comercial. 

70% estão insatisfeitos com qualidade do transporte público; 82% apoiam fechamento de vias para lazer!

Além de identificar o impacto da mobilidade urbana nas decisões de compra dos brasileiros, o estudo investigou a opinião dos consumidores sobre a qualidade do transporte público no país. Em cada dez brasileiros que moram nas capitais do Sudeste, quase oito estão insatisfeitos com o trânsito (76%) e sete com a qualidade do transporte público em sua cidade (70%).  

Na opinião desses entrevistados, a principal ação a ser tomada para reverter o problema do trânsito é investir na qualidade do serviço de transporte, citado por 64%. Em seguida, surgem outras sugestões como ampliar vias já existentes (41%), garantir a segurança das pessoas (30%), aumentar a proibição de estacionamento nas ruas e avenidas (28%) e incentivar campanhas de caronas solidária (21%).

Outro dado revelado pelo estudo é que 71% dos brasileiros moradores do Sudeste concordam com medidas que priorizam o transporte coletivo, como construção de corredores e faixas exclusivas de ônibus, mesmo que isso implique em sacrificar o espaço de ruas e avenidas destinados a carros. Há também, 82% de entrevistados que apoiam o fechamento de vias aos domingos para propiciar atividades de lazer e circulação de pedestres e ciclistas.  

Para o presidente da FCDL-MG, Frank Sinatra, "tal resultado evidencia que nós, consumidores, queremos conforto, segurança, preço e um bom atendimento. Não é mais possível encontrar isso nos grandes centros. Hoje temos um trânsito que não ajuda, um plano arquitetônico que precisa de reformas e inovações urgentes e ainda o retorno dos camelôs, o que torna inviável deslocar-se de casa para compras nestes locais – centros comerciais. Assim, com o crescimento das lojas de bairro, temos a comodidade para comprar tudo perto de casa e ainda ter um atendimento customizado que, só é possível, por meio das micro e pequenas empresas. Elas fazem promoções e sabem o que nós queremos. Outro ponto é que, tempo é dinheiro! Na situação atual, economizamos atuando desta forma.

Engana-se aquele que o consumidor atual não está fazendo o mínimo de planejamento, mesmo que seja básico, para organizar suas contas. Tudo começa com o que pesa no bolso e as formas de chegar ao alvo.

Referente ao transporte, ter um carro próprio ficou muito caro e o aumento dos impostos potencializou isso. É desnecessário pontuar que, se o transporte público fosse mais funcional do que o modelo atual, teríamos um avanço estrutural que contribuiria para o crescimento social e econômico".

METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada pelo SPC Brasil e pela CNDL no âmbito do ‘Programa Nacional de Desenvolvimento do Varejo’ em parceria com o Sebrae e IBOPE e ouviu 375 consumidores das quatro capitais do Sudeste. A margem de erro é de no máximo 5,1 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%. 

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